Três dias depois do anúncio de que os games violentos poderiam ser banidos do Brasil, de acordo com o projeto de lei do Senador Valdir Raupp(PMDB-RO) - aprovado pela Comissão de Educação e divulgado pela
Agência Senado na última terça - muitos gamers e pessoas ligadas a indústria de jogos no Brasil se manifestaram contra o projeto de lei.
A repercussão da resolução foi tão grande que um conceituado site sobre política e jogos, o
Game Politics, postou em sua página sobre o assunto. Nos comentários muitos concordaram com a opinião, postada na matéria do Nonuba Games, de que - se aprovada - a lei aumentaria a pirataria nos jogos por aqui. Outros disseram que o governo deveria se preocupar mais com a violência real no país e não nos games.
“Tenho certeza de que o Brasil está entre os dez primeiros países em assassinatos por ano. Então, sim, talvez eles devessem procurar resolver outros problemas antes de abordar a questão dos jogos”, comenta um leitor.
Aqui no Brasil, algumas desenvolvedoras independentes de jogos se mostraram indignados com a posição do governo diante da questão dos games. O produtor da desenvolvedora Kranio Studio (RJ),
Yves J. Albuquerque Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar comentou a questão:
“Curiosamente o projeto de lei do senador Valdir Raupp (...) se contradiz na descrição dos
próprios artigos citados. Também é válido observar que o senador apenas infere restrição sobre os jogos e não sobre os demais veículos, inclusive, audiovisuais. Talvez seja por não entender que os jogos digitais são ‘meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza’, como claramente cita a lei original a qual o projeto de lei busca alterar”, disse o produtor.
E completa: “Devemos observar que a lei original proíbe praticar, induzir ou incitar a discriminação o que difere em teor ao argumento de ofensa como utiliza o senador em seu projeto. A ofensa é, antes da intenção do sujeito da ação, a interpretação daquele que se sente ofendido, ou seja, é dependente de valores muito mais amplos do que pode ser racionalmente provido e, para tanto, devemos considerar que toda e qualquer comunicação é potencialmente ofensiva”.
Esse assunto ainda vai gerar muita discussão e, talvez, seja somente mais “fogo em palha” ou aquele tipo de polêmica só para promover o autor do projeto. Bem típico do Brasil, onde parte dos governantes, incapazes de se fazerem presentes por motivos realmente relevantes, levantam polêmicas na tentativa de mostrar que têm algum “poder”.
fonte: nonuba